Amor e Poder

“O poder sem o amor é imprudente e abusivo, e o amor sem o poder é sentimental e anêmico […] É exatamente esse conflito entre o poder imoral e a imoralidade sem poder que constitui a maior crise de nosso planeta”.

Martin Luther King

amor e odio

Muitas vezes me coloco a pensar sobre o que está passando pelo mundo, as relações entre as pessoas, como interagem, de que forma encaram e como estão vivendo . Obviamente isso me leva a pensar da mesma maneira nas cidades, seus governos, no trabalho, nas comunidades, na esfera nacional, nas relações internacionais, e claro, nas empresas.

Apesar da difícil auto-reflexão, tornou-se um exercício muito interessante para compreender o papel que temos em nossa sociedade e como queremos prosperar com ela. Esse pensamento me lembra o belo livro de Adam Kahane – Poder & Amor, que discute de forma integrada a relação entre poder e amor. Em seu livro, Kahane aponta as formas mais comuns com que tentamos enfrentar nossos desafios sociais, e cita, comumente que tratamos de formas extremas: guerra agressiva ou paz submissa. Tenho que concordar com ele, pois nenhuma das duas funciona! Diante de determinadas situações podemos reagir e tornarmos agressivos, combatendo o ‘inimigo’ ou “deixar quieto e não discutir”.  Tais maneiras extremas nos deixam paralisados e em sofrimento. Claro que existem exceções a regra mas os extremos prevalecem.

Precisamos de novas maneiras para enfrentar esse mundo. Mundo esse que está repleto de problemas e desafios a solucionar. O mundo precisa de pessoas éticas, que saibam equilibrar o amor e o poder, o lucro com valores sociais, ou seja, o equilíbrio justo e social da vida! Segundo Clay Shirky, uma revolução não acontece quando uma sociedade adota novas ferramentas. A revolução acontece quando a sociedade adota novos comportamentos. Desta maneira me deparo com pessoas e empresas, e vejo pessoas tentando adotar novos comportamentos e empresas guerreando contra esses ‘micro regime sociais’. A luta torna-se ferrenha e quem perde? Todos nós. Minha proposta nesse texto não é julgar aquela empresa ou a outra, seja ela uma startup ou uma multinacional, com 2 ou 5000 funcionários. Minha proposta é levar você a refletir sobre como tudo está acontecendo. A Internet potencializou nossas interações, encurtou caminhos, conectou mundos antes imaginados. As pessoas vivem em rede, a internet ajudou a entender tudo isso. Navegamos pelo tecido social inconsciente. Como diz Gil Giardelli, tudo que é sólido desmancha-se na rede. Vivemos na era da colaboração, em que somar é mais poderoso do que diminuir. Uma era que sua reputação é julgada não pelo que você diz que faz, mas sim pelos fatos, pelo que faz!

Esse mundo on-line as vezes parece um grande palco de teatro, onde qualquer um pode colocar sua peça, criando um alter ego digital acima da lei e da justiça. Minha provocação aqui é só para registrar meu desejo por um mundo mais justo, um mundo mais coletivo, um mundo mais humano, um mundo em que consigamos viver de forma harmoniosa. O prestigiado e ainda utilizado conceito das 5 forças da competitividade de Michael Porter, ruiu. Vivemos em uma era em que precisamos menos de A Arte da Guerra e mais de Budha, mais Dalai Lama, precisamos humanizar nossas relações. Em especial a das empresas. Utilizar-se de agressões verbais para criar uma cultura da opressão não funciona mais. Não vivemos mais na era da competição. Vivemos na era da cooperação, do compartilhamento, vivemos do fluxo da vida e não do fim. No momento em que todos compreendermos que o que importa não é o fim mas sim o fluxo, viveremos em um mundo mais justo e equilibrado.

Essas reflexões me inspiram ainda mais para seguir em frente com meus sonhos, fortalecido e envolto de pessoas maravilhosas. Em 2011 cofundei a Design Echos junto com a Juliana Prosepio, com o propósito não de lutar contra, mas sim de somar forças para construir um mundo melhor. Esse ano articulamos o nascimento de um grande movimento, a Escola de Design Thinking, que já nasce em rede, de forma clara e objetivo coloca seu papel na sociedade: formar uma nova geração de inovadores para o Brasil. Nossa ambição não é pequena, ao contrário, acreditamos que todo e qualquer ser humano pode contribuir com algo nesse planeta. Me julgo privilegiado pois tive a oportunidade de andar pelo mundo, conhecer diversas culturas, navegar em diversos ambientes corporativos, enfrentar desafios desde metalurgia à fusões e aquisições. Sou grato por tudo isso é claro, mas não são minhas credenciais que farão sentido no mundo e sim as coisas que construí e continuo contribuindo de forma mais humana. Sem privilégios, exclusões ou formações de classes. Acredito em um só ser humano. O mesmo que lapidou a pedra à que cria excursões para a Lua.

Termino meu texto com uma provocação, será que Karl Marx conseguiria entender esse novo regime social que está se formando? Não sei. Deixo aqui para reflexão.

Ricardo Ruffo

30/01/2013

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